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sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Pelos intestinos da vida

Por Luciano Alvarenga
www.lucianoalvarenga.com.br
Você não sabe mais nem o que é bom pra você mesmo? Está se perguntando sobre o que é que está acontecendo com o mundo? A sua sensação é a de que todos estão curtindo a vida, vivendo, aproveitando, e só você não está fazendo nada do que gostaria.
Por acaso você descobriu que a única coisa com a qual você realmente se envolveu foi com o seu trabalho? A sua filha vai fazer quinze anos e só agora você se deu conta de que ela namora. A sua mulher é ótima e só você não sabe!
Quando você pensa no ano que passou a primeira coisa que lhe vem a memória são as coisas que você não fez? Você sempre tem um carnê para pagar? De repente você se pegou querendo o cargo do seu melhor amigo? A sua casa nova, na verdade lhe custou mais do que vale à pena pagar por ela?
Por acaso você já está na fase de dizer ao seu filho que ele não pode continuar levando a vida que você adoraria voltar a levar? O ditado “é melhor pingar do que faltar” está familiar em sua boca? O seu carro ganhou mais de você, que você mesmo?
O seu final de semana tem cheiro de carne queimada e cerveja? A última vez que se olhou no espelho você era magro, quase esbelto? A sua vida amorosa se transformou em explicar o por quê dela não existir mais?
Você vai quitar a metade da dívida do ano passado com o seu décimo terceiro deste ano? As viagens para o litoral já viraram histórias de fim de semana? Alguma vez você disse que ama seus filhos, mas se pudesse hoje não os teria?
Você percebeu na última briga em casa que, você se parece mais com o seu pai do que gostaria? O sentimento de que você nasceu na época errada está cada vez mais forte? O seu casamento virou um submarino... ele bóia, mas está afundando?
Você não entende por que os gays fazem tanto sucesso? Irrita-se quando as mulheres dizem que são melhores do que os homens? Ou melhor, não acha mais graça? No seu trabalho você se sente parte da mobília? A sua filha tem mais histórias com os homens do que você com as mulheres?
Alguma vez você disse ao seu colega de trabalho que, casar ter filhos e formar família é parte da vida? Você fica incomodado quando tem um solteiro na festa dos casados? Passar à tarde com os amigos em volta de uma geladeira cheia de cerveja lhe parece melhor do que cortejar uma mulher?
Já ficou embriagado em festa de criança? É do tipo que bebe até acabar a cerveja, e é o primeiro a sugerir de buscar a saideira?
A rua lhe parece mais agradável e cheia de coisas que lhe aprazem do que sua casa? É impossível não tomar uma antes de ir para cama?
Você tem vontade de jogar tudo pro alto, mas não tem coragem de pagar para ver? Não sabe quando foi a última vez que pensou em si mesmo, são e lucidamente?
Você perdeu a noção do que é realmente importante na vida? Você se conformou que não vai realizar seus sonhos, que a vida é isso aí mesmo, o importante é criar os filhos?
... Então você ainda não entrou no século XXI.

Patéticos e Vazios

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Sociedade pós adulto

Por Luciano Alvarenga, Sociólogo
A realização na Unilago*, Rio Preto, do primeiro encontro Regional de twitteros é uma oportunidade não apenas para a discussão desta nova ferramenta de comunicação e aprofundamento da democratização da mídia, mas sem nenhuma dúvida também para se colocar a questão da morte do adulto.
Embora fenômenos aparentemente sem conexão, são na verdade links da mesma página. Assim como o Orkut, Faceboock e outras redes sociais catalizam cada vez mais gente, o Twitter é a novidade da vez onde novas milhões de pessoas iniciarão sua vida digital. A pelo menos uma década computador e internet era coisa de adolescente, hoje computador e internet são uma coisa só e o número de não adolescentes se acotovelando na rede para ter seu espaço dá bem o tom das mudanças que ocorreram.
A massificação da internet no Brasil a partir dos anos 1990 coincide com o crescimento de uma nova geração que não conheceu a infância dentro de casa, nem as brincadeiras de rua, muito menos a relação aproximada via almoços diários e encontros domésticos dos membros da família. Estamos falando da Geração Terceirizada para as granjas escolares.
Deixados nas creches ou esquecidos dentro de casa em horários desencaixados a internet foi o lugar aonde toda esta geração passou a viver. É assim que a fidelidade dos adolescentes à internet aconteceu sem titubeios. Conectados desde o primeiro momento a uma nova linguagem, uma nova leitura de mundo e uma outra relação (im)pessoal possibilitada pela rede, o fato é que esta geração Terceirizada distanciou-se dos padrões de relação anterior, criou os seus próprios padrões adaptados a situação em que passaram a viver com o alargamento do mercado e, de oportunidade para as mulheres sua mães.
A internet e seu anarquismo endógeno antípoda da hierarquia familiar ou qualquer outra, deslocou a figura da autoridade, todas elas, e colocou todo mundo no mesmo plano. O que a TV já vinha fazendo desde pelo menos os anos 1970-80, que era se colocar como veiculadora principal de um discurso novo atrelado a novos comportamentos e experiências, substituindo o falar tradicional de pais, padres e patrões, a internet completará indo ainda mais longe. Permite que os próprios consumidores desta tecnologia se transformem também em produtores de discursos. De repente o falar não é mais uma prerrogativa do adulto, nem de corporações de mídia, mas de qualquer um que tenha um endereço na rede. Aqui, qualquer autoridade esfumaçou. De lá para cá a única coisa que mudou foi o número avassalador de novos internautas que escaparam e continuam escapando para esta terra virtual.
Se crianças e adolescentes foram os primeiros a ver sentido nesta nova maneira de viver e relacionar, a quantidade de adultos hoje na internet falando e querendo ser ouvido mostra que a internet é mais que uma rede de relações e trocas também emocionais, ela hoje é o único lugar reconhecido e com autoridade para dizer quem é quem e o quê. Assim é que pais e filhos preferem trocar seus monossílabos no Twitter, é mais rápido, fácil e sem conturbações. No Twitter o que interessa é falar em 144 caracteres, independente se você é pai ou filho ou professor. Horizontalizados mais uma vez - agora no Twitter - pais e filhos, professores e alunos vivem o tempo não de quem tem autoridade, mas de quem tem audiência.
O número de seguidores é que diz o nível de autoridade e de audição do que é dito.
*11.12.09, a partir das 19 horas no Anfiteatro da Unilago

Os jornalões continuam falando besteiras

A paz no Oriente, segundo Garcia
Da Folha
Marco Aurélio Garcia: A paz desejável – 26/11/2009
Quem governa um Brasil, ou quer governar, sabe que há temas de política externa que não podem ser objeto de oportunismo eleitoral
NO ESPAÇO de duas semanas, o Brasil recebeu as visitas dos presidentes de Israel, da Autoridade Palestina e do Irã. Não é ocasional a presença em nosso país de três atores-chave do conflito que há décadas infelicita o Oriente Médio.
na integra em http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2009/11/26/a-paz-no-oriente-segundo-garcia/#more-39830

Internet: guerrilha de informação

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Troque sua criança por um cachorro

Estava andando pelo shopping este fim de semana, quando vi um casal de mais ou menos 30 anos empurrando um carrinho de bebê. Dei uma olhada de relance, mas não vi nada demais.
Minha companheira virou e me disse “viu?”.
Viu o que respondi. No carrinho não havia um bebe, mas dois cachorrinhos embrulhados numa manta.
Um casal empurrando um carrinho de bebe com dois cachorros dentro. Crianças, vcs estão no fim.
Esta imagem diz tudo dos tempos em que estamos. Humanos é um problema, como disse o big brother “quanto mais ando com os humanos mais gosto dos cachorros”.
Casais com boa escolaridade bem empregados e independentes preferem não ter filhos, essa é uma realidade mundial. Mas revela também a falência da nossa cultura, não ter filhos é o mesmo que dizer “não há nada neste mundo que valha a pena”. Filhos são como cartas de esperança que enviamos ao futuro, se não temos filhos é por que nada temos com este futuro, que na verdade não desejamos.
Cachorros dão menos trabalho, não ficam adolescentes, não vão a escola e não criamos expectativas sobre eles. Cachorros não deixam seus pais humanos com cara de velhos e acabados, não obrigam as mulheres a engravidarem e, portanto, não destrambelha seus corpos, que hoje certamente vale mais do que qualquer mensagem que se queira enviar até o futuro.
Cachorros são mais bem quistos que crianças. Eu vi um cachorro num carrinho de bebe num shopping. Isto é, alguém disse “vamos às compras com nossos filhos da raça canina”.
A pergunta é, essa combinação é uma família? L.A

Os Sem Terra e os Chafik (Adriano Chafik foi condenado, mas está livrinho)